Campanha legal

4 nov

A loja nova-iorquina Deep End Club, comandada pela cantora Tennessee Thomas (insta), é uma das que apoiam o vídeo “Bad Reputation PSA”, que incentiva as mulheres a comparecerem às urnas americanas hoje, dia 4, e votarem nas eleições legislativas de meio de mandato, que definirão novos deputados, senadores e governadores dos Estados Unidos.

O vídeo conta com a participação incrível Joan Jett e tem como trilha sonora a música título do vídeo!

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Status 0: Hoje, todos os meus status são para você, meu bem

20 set

Aurora carnaval. Ele disse que não morava ninguém dentro de mim.

Foi como a primeira tentativa de tragar um cigarro. Tentar sentir como todos dizem que sentem. Eu não sinto assim.

Ele afastou de mim as quimeras que me apreendem e isso já me fazia amar demais.

Toda compreensão e paciência aos rompantes, às diferenças e aos excessos dele.

Tic-tac, tic-tac. Dedicação traduzida para “sangue de barata”, “sangue de barata”.

 

Na atual e finita obrigatoriedade de conviver, todos os meus status são para você, meu bem!

Você fala mais besteiras do que pode imaginar. Até do que o meu preconceito com caras desse tipo pode conceber.

Você prova que vinis, cigarros e raybans não têm diferença dos iPods, açaís e Reefs.

Raro demais, mas você podia ter tido a voluntária compressão.

Mas, se mesmo n’um grande esforço, você não se manteve aqui, foi com um grande esforço que você implodiu tudo com um “eu também” mal empregado.

Você usa lente de aumento quando olha o espelho do seu ego?

 

Por isso… Hoje, todos os clichês covardes, dessa autoajuda gratuita da nova era, são para você.  “A arte de ouvir merda e falar mais merda ainda de volta!” “Prefiro me fazer compreendida a me fazer de evoluída.”  “Quando o interlocutor acha que paciência é sinal de ser otário.”

A Menina da cara torta

23 abr

A menina de cara torta não tinha amor, não tinha casa, não tinha nada. A menina de cara torta não tinha beleza, era puro desgosto e muita tolice. Nenhum talento tinha a menina de cara torta. Por nada era reconhecida, nem pela sua cara torta. Ela via mais um lado no nariz do que o outro e não conseguia comer sanduiches porque sua boca era muito pequena. A menina de cara torta não enxergava direito, não podia usar lentes porque era alérgica e não podia usar óculos porque eles não encaixavam na sua cara torta. Não inventou nada nem tentou nada. A menina de cara torta não tinha uma casa, nem um amor, nem nada.
A menina de cara torta tinha a cabeça empoeirada e também tinha sido abandonada. Ninguém se movia por ela, nem a própria.

A menina de cara torta virou uma mulher de cara torta.

A mulher de cara torta não gostava da labuta. A mulher de cara torta apreciava a vida que nunca teria, quando conversava com novas pessoas. A mulher de cara torta não viajava para fora do país, só sabia o que lhe contavam. A mulher de cara torta não tinha religião e só um pouco de amor no coração.

A mulher de cara torta tinha rugas e virou a velha de cara torta, mas sobre isso não há mais o que contar.

Mirian e o gap

15 mar

Mirian nunca pode conversar com Tobias sobre as coisas que gostava de discursar. Queria saber mais sobre o conflito de Israel com a Palestina e contar sobre quando ficou na mesma casa que um palestino no Fórum Social Mundial. Sempre que ela falava sobre isso, o fazia com os olhos brilhando. De Tobias, queria sentir um mínimo de compreensão, caso algum dia contasse essa história.

Mas ela e Tobias não tinham um gap tinham um abismo. Ele a achava chata e ela o achava bobo. Ele dizia que a forma com que Miriam se relacionava era superficial, ela via nele a necessidade de um relacionamento infantil. Ela o achava inseguro e limitado, ele a achava fechada e distante. Mirian enjoa de tudo em pouco tempo, Tobias ama tudo o que ele faz. Ela o achava um moleque desatento e ele a achava uma formiga que só trabalha. Ela gostava de fugir da realidade, ele desconhecia a realidade.

Tinha um tempo que não se viam. Mirian sentia saudades, mas não acreditava no benefício de uma volta para nenhum dos dois. Ela acreditava que ele era incrivelmente boa pessoa, simpático e carismático. Ele não pensava o mesmo dela, achava Miriam comum, acomodada e taciturna, embora ele não soubesse o significado dessa palavra. O fim foi rápido.

Eles tinham interesses opostos. Tobias é um tanto burrinho, embora não completamente, e não queria aprender coisas novas. Miriam é bastante sedentária e não sabia aproveitar a natureza, embora gostasse de apreciá-la. Eles não tinham o que trocar.

Miriam sente saudade das noites. Bem compartilhadas em pernas entrelaçadas que pareciam terem sido feitas sob medida uma para a outra. Em conversas com amigos, ela gostava de deixar claro o quão boa pessoa ele é e o quanto ela o quer bem. De qualquer forma, algumas vezes era possuída pela raiva, e, quando perguntada, costumava dizer em tom pejorativo: “Não conseguia conversar com ele.  Temos um gap cognitivo.”

Dessa vez foi a Gestrudes que entrou pelo cano

27 jan

Dormiria dali para frente todas as noites numa cama de ferro típica, dura e gelada.

Guardava ódio daqueles garotos infantis e mimados pelas mães que nunca saberiam o que exatamente era ter que dormir daquele jeito. Ódio da cara deles e daquele sentimento piedoso, porém ignorante dos meninos que não faziam o menor esforço para crescer. Não queriam encarar nada por conta própria.

O ódio não ajudava em nada, porque mesmo com o calor do seu corpo explodindo em raiva, a cama de ferro ainda assim era fria demais.

Ela amadurecia a cada noite, e, se houvesse uma medida comparativa amadurecimento-sorriso, Gestrudes poderia mostrar ao mundo o quanto amadurecer retirava o sorriso do seu rosto.

Cada crença adolescente que caía, se espatifava, na realidade, uma camada de concreto era posta numa couraça que se erguia e, ao longo da vida, transformava Gestrudes em uma mulher de pedra. Pedras ocas, que com o soco de uma criança viram areia e poeira.

E os garotos continuavam a passar com suas esmolas e ações de caridade para acreditarem que ajudavam em alguma coisa. Depois que viravam a esquina, gastavam, entre risos, o dobro, o triplo das esmolas em alguma bebida que se quer era realmente boa. Compravam brinquedos para adultos e jogavam fora no mês seguinte.

Ela, por sua vez, gostaria de nunca mais aceitar aquela esmola hipócrita, mas eu, Hanna, não sei se algum dia Gestrudes conseguiu chegar aonde queria. Sequer sei se ela sabia onde queria chegar. Só sei que não queria aquela cama, nem aquelas esmolas.

Reencontrando a felicidade (no buraco da Alice).

7 set

Assisti ontem o filme “Rabbit role”. De um diretor que, sinceramente, não me chama atenção por nada anterior. Chama-se John Cameron Mitchell a quem interessar. O elenco é um deslumbre: Nicole Kidman, que foi indicada ao Oscar por esse papel, Aaron Eckhart, Sandra Oh e Dianne Wiest.


A história gira em torno de um casal que após a morte do filho tem dificuldade em se manter são.
Becca, (Nic) não se conforma pela perda da criança e o marido, vivido pelo pontual Aaron, busca um caminho, o fim do sofrimento. Grupos de ajuda, religião, um novo filho… Caminhos dados como clichê e que de fato ajudam muita gente a dar forma aquilo que elas mesmas não conseguem dar. O caos emocional aparece no filme como uma inquietação tanto pra ele como para ela, mas vivido formas totalmente diferentes. Cada personagem tem um jeito de lidar com seu caos particular e o filme não se encerra de forma nenhuma no drama deles dois. Mas evidencia o emaranhado de conexões interpessoais que permeia a fragilidade individual.
O filme se desenrola mostrando que não há estrada pré estabelecida e que apesar de boas especulações e questões sobre vida e morte, sobre justiça e perdão, que é na experiência particular e na construção subjetiva dessas experiências que se chega a qualquer “toca de coelho”, como sugere o titulo original do filme.
Outra boa toca de coelho bem conhecida, praticamente de forma universal é a toca em que a Alice cai em Alice no País das Maravilhas. A menina se vê em situações absurdas, mas pode compreender que o “caos” nunca é uma bagunça, mas uma forma que se tem de reequilibrar , de se reestruturar algo que parece, apenas parece fora do lugar.
Becca bebeu da mesma fonte que Alice. ” Y Tu Mama También”

Nova da Charlotte Gainsbourg

6 set

O videoclip é dirigido por Nathalie Canguilhem, a música, “Terrible Angels”, é tambem o nome do novo EP da filha de Serge Gainsbourg e Jane Birkin.

O EP chega às lojas hoje, dia 6 de setembro.

PS.: Eu ainda olho a Charlotte e penso: “Ela a maluca que se castra no filme do (Nazi)Lars Von Trier, O Anticristo.”

PS2.: Nathalie Canguilhem também dirigiu o Pop Glock da Uffie, em 2006 (se não me engano).