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Saindo do uniforme

5 dez

Hoje eu fui assistir ao Fluminense ser Bicampeão Brasileiro. Peguei minha ribana do Flamengo, botei minha saia alta preta, uma sandalia douradinha… e fui lá encarar os tricolores. Fiquei reparando alguns torcedores já que esse ano, diferente do ano passado, estava tranquila, só dando um apoio ao Rio e a minha família, que torce pelo fluminense.
Hoje, no bar que estava assistindo ao jogo pela tv, tinha uma mocinha com um vestido da Guess vermelho, verde e branco tão bonitinho (arrependimento mor por não ter tirado uma foto). Ela me fez repensar sobre como é (super)possível torcer a caráter e não ficar com aquelas roupas esquisitas de torcida… Um detalhe ali, outro aqui… As escolhas das peças e acessórios não precisam ser Kitsch!
Acho luxo torcer e não perder o toque pessoal. Deixa os uniformes para os jogares…
Abaixo: Chinelo Gucci (flu), Nike cano alto (fla) e um keds fofíssimo de estrelinhas (fogo)

É, o Vasco fica pra depois. Porque, para mim (flamenguista), é muito difícil ver beleza nesse time.

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Um texto

14 out

Um menino sentado numa cadeira de rodas a alguns anos. Seus movimentos na perna tinham sido perdidos em um acidente a algum tempo.

Uma menina andando na rua sem rumo, sem nada. Ela nunca experimentou o aconchego do lar, as carícias dos pais.

O acidente dele aconteceu quando ele ainda era criança. Sempre pensou na liberdade de poder correr com os outros garotos, andar pela praia com a menina que ele gostava e, era o que ele mais queria, jogar futebol. Sempre havia sido a paixão dele. E ele nunca pode fazer isso.

Bonecas. Era isso que ela mais gostaria de ter. Sempre que passava em alguma loja de rua ficava olhando as outras meninas brincando, rindo, felizes. Sempre quisera saber qual cheiro tinha quando se tirava uma boneca da caixa, o perfume dos cabelos, trocar as roupas do brinquedo.

A algum tempo ele estava perdendo o apetite. Sua mãe já estava ficando preocupada. Ele simplesmente não tinha mais animo.

Revirar latas de lixo sempre foi comum para ela. As pessoas sempre que passavam olhavam com caras indignada, pensando que aquilo era um absurdo.

Ele preferia a solidão a ficar com pessoas. Assim podia sempre escapar dos olhares de pena e outras coisas que sempre lançavam para ele. Não era sacrifício algum ficar sozinho, ao contrário, ele sentia prazer na solidão. Assim ele podia ficar fantasiando, olhando para o nada sem ter que dar satisfações a ninguém.

Ela apenas ficava com pessoas porque lhe era conveniente. As ruas são perigosas para meninas sozinhas. Ela não podia prever o que podia estar a espreita na próxima esquina. Sempre ouvia histórias de garotas violentadas enquanto ficava com os outros.

O dia ia alto quando ele acordou. Não quis saber as horas, queria apenas ficar deitado, quieto. Não fez barulho algum, não sentou em sua cadeira, não ligou a tv, nem nada. Ficou apenas ali. Parado. Sentia que alguma coisa saia dele. O que era ele não sabia dizer. Parecia que era a vida. Ele foi fechando os olhos e viu um campo. E tinha uma bola. E ele podia correr. E ele finalmente tinha a liberdade que sempre quisera.

A noite estava muito escura e fria. Ela procurava um lugar para ficar. Algo a incomodava. Parecia que alguém estava acompanhando os seus passos. Ela nunca sentira isso antes. Ela olha para trás e suas suspeitas se confirmam. Ela estava sendo seguida por um homem. Aquilo a perturba de uma maneira que não pode ser explicada por palavras ela apenas sente que o homem está aproximando cada vez mais rápido então ela começar a andar mais rápido também sempre sentindo que ele está chegando e então ela começa a correr e ele imita, mas como ele é mais alto e ganha alguma vantagem sobre ela que tropeça e cai. Ele a alcança. Ela fecha o olho. Tenta se convencer que tudo não passa de um pesadelo, que logo ela vai acordar. Ouve os urros dele. Ela continua firme, olhos fechados e lábios contraídos. A dor a invade. Pouco tempo depois acaba. Ela sente algo arranhando o pescoço dela e em seguida alguma coisa quente.  Tudo é substituído por uma caixa sobre uma mesinha num quarto de menina. Ela finalmente sente o cheiro de uma caixa de bonecas sendo aberta. Tinha cheiro de morangos.

Postado por Pedro Wajsfeld